*Partos da mamãe Letícia*


Relatos dos meus partos, os dias mais felizes da minha vida... Thierry e Fabrício, mamãe ama vocês!!!



O DIA MAIS IMPORTANTE E FELIZ DA MINHA VIDA!... - SEGUNDA ETAPA

Sexta-feira, 18 de maio de 2007. Parecia que aquela sexta-feira em que eu completava 40 semanas de gestação e era a data prevista para o meu parto seria só mais um dia como foram todos os outros daquela semana. Mas não foi. Na segunda-feira estava com o colo médio e quase 2 dedos de dilatação, tinha sentido cólicas leves durante toda a semana, percebia que saía um pouco do tampão a cada ida ao banheiro, todo dia pensava "é hoje!", mas o Fabrício não estava de acordo. A médica já tinha me avisado que se nada acontecesse durante a semana, marcaria a cesárea pra outra terça, com 40 semanas e meia, o que me deixou chateada com a possibilidade do parto que eu não queria. Na quarta-feira entrei em greve e aproveitei pra arrumar a casa, na quinta tive cardiotoco que fazia toda semana. Saí do hospital chorando quando a médica mediu o líquido e mais uma vez disse "tá ótimo, volta na segunda". Nessa hora desisti de vez do parto normal, já achava que tudo caminhava pra aquela cesárea eletiva, apesar dos motivos. Na noite de quinta me preparei pra ficar sozinha em casa (por sorte, Thierry estava dormindo na casa da vovó), fazer as unhas, terminar de arrumar a casa. Mas parece que mais uma vez o Fabrício não concordava comigo.

Como rotina de grávida, acordei pra fazer xixi às 3:50h. Quando deitei, senti uma contração dolorida, mas fraca e, sem a mínima experiência em trabalho de parto, pensei: "ih, acho que é isso!". 5 minutos depois senti outra, e mais 5 minutos, outra. Fiquei tão excitada que perdi o sono. 40 minutos depois, com essas contrações fracas mas regulares, decidi não ficar em casa sozinha, pois moro muito longe do hospital e o marido demoraria no mínimo 1 hora só pra chegar em casa. Como ele trabalha ao lado do hospital, decidi ir com ele mesmo que aquilo não fosse o início de um trabalho de parto e eu perdesse a viagem. Melhor previnir que remediar. Levantei e fui tomar um banho, lavar o cabelo. Quando terminei, senti uma coisa pingar e achei que estava com uma rotura alta de bolsa. Chamei o marido e disse: "acho que você vai ser papai hoje!". Ele me olhou com cara de bobo e pulou da cama. A essa altura eu já tinha certeza da rotura da bolsa e até achava que o líquido estava estranho, resolvi me apressar. Antes de sair ligamos pras nossas mães, molhei minhas plantinhas e fui guardar a comida que estava descongelando pro almoço. Foi minha sorte! Ao pegar o pote, uma forma escorregou da geladeira. Quando me abaixei para pegar, minha bolsa rompeu de uma vez. Quando tirei a calça para trocar, fiquei apavorada, estava cheio de mecônio! Comecei a chorar, me perguntando por que aquilo estava acontecendo comigo novamente (quem não conhece a história anterior, leia o relato do meu parto abaixo). Era cedo, marginal tranqüila, chegamos ao hospital em 20 minutos. Fui admitida no PS às 5:50h, ainda com bastante líquido. Às 6:30h comecei a ser monitorada. As contrações ficavam mais doloridas aos poucos, mas no mesmo ritmo. Às 7:00h, na troca do plantão, um médico muito gente boa me examinou, eu estava com 3 dedos. Traumatizada com meu parto anterior, uma situação quase idêntica, perguntei se ele achava que o trabalho de parto ia evoluir, pois eu não podia ser induzida por ter uma cesárea anterior. Ele disse que só poderia me responder dali a 1h e meia, que dependia da minha natureza e ainda brincou, dizendo: "olha o seu tamanho, olha o tamanho dessa bacia! Isso aqui ganha nenê fácil!". Perguntou até quando eu tinha trabalhado, eu respondi que até terça e depois entrei em greve. Ele disse que é isso que dá mecônio, que os outros médicos riem quando ele diz isso, mas que ele não tem casos de mecônio no consultório dele há 20 anos, pois faz as mulheres sairem de licença com 36 semanas. Conversou comigo um pouco e foi olhar as outras pacientes. Fiquei olhando o aparelho de cardiotoco, pois estava com mau-contato no ultrassom. Me mexi, ele perdeu o foco. Quando voltou, a freqüência cardíaca fetal oscilava entre 70 e pouco e 90 e pouco. Esperei o médico passar e perguntei porque estava tão baixa. Ele disse que era porque eu estava de barriga pra cima, ficava em cima da veia cava e tal. Tentei virar de lado, a freqüência aumentou, mas logo caiu de novo. Mesmo não querendo me assustar, percebi que ele ficou um pouco preocupado, fez novo exame de toque e, passada 1 hora, eu continuava com os mesmo 3 dedos. Ele disse: "você não vai agüentar, vamos pra cesárea.", e saiu depressa. Enquanto esperava as enfermeiras chorei, eu não tinha conseguido de novo. Mas eu tentava me controlar, aquilo era a última coisa em que eu queria pensar, sabia que meu bebê não estava bem e era a cesárea que salvaria sua vida. Todo o procedimento foi feito muito rapidamente, soro, sonda, anestesia... Quando o Ne entrou no centro cirúrgico, eu já estava sendo cortada. Estávamos tranqüilos, conversamos e brincamos bastante com os médicos (pegamos uma equipe maravilhosa!), o anestesista tirava fotos por cima de mim e me mostrava. Chorei de emoção quando percebi que ele tinha nascido, porque os médicos não tinham falado nada. Vi que os pediatras se movimentavam bastante no bercinho aquecido, mas o bebê não chorava. Comecei a ficar desesperada e perguntava a todos porque ele não estava chorando. Só me diziam "calma", até que aquele mesmo obstetra veio me dizer que estava tudo bem, eram os pediatras que não estavam deixando ele chorar (pra fazer a aspiração - não sei se foi uma desculpa, mas depois outro pediatra me disse que foi bom ele não ter chorado pra fazer a aspiração). De repente veio aquele chorinho, a princípio meio engasgado, depois forte, nunca agradeci tanto a Deus. Essa agonia durou cerca de 3 minutos, pois não marcaram a hora que ele nasceu, só diziam "faz uns 3 minutos, né?". Eram 8:51h, ou seja, ele nasceu às 8:48h, com 48 cm e 3,055kg. Então, mais feliz, eu ria, olhava pro marido e comentava sobre a quantidade e a cor daquele cabelinho, a única coisa que eu conseguia enxergar com meus 4 graus de miopia. Alguns minutos depois o pediatra me trouxe aquela coisinha tão fofa e, ao bater os olhos nele, eu disse: "amor, é a cara do Thi!". Eu tentava fazer um carinho e beijá-lo, só me lembrei de perguntar quanto tinha sido o Apgar. Quando o pediatra respondeu "1-8-10" eu achei que não tinha entendido direito e perguntei "Um???". Ele percebeu minha cara de espanto e disse que sim, mas estava tudo bem, que o de quinto e décimo minutos tinham sido ótimos, significava que ele recuperou rápido. Fiquei mais tranqüila, mas depois perguntava pra todo pediatra, que respondia a mesma coisa. Ainda na sala, o efeito da anestesia começou a passar, então já nos levaram pro quarto, ele na mesma maca que eu, que o segurava desajeitadamente, porque não conseguia me mexer direito e já estava sentindo dor. Tive que esperar bastante pra amamentar, pois ele precisava tomar uma vacina (Imunoglobulina) que praticamente elimina a chance dele contrair a minha hepatite. Às 14h, nossa visita tão esperada chegou: o Thierry. Nunca vou esquecer a carinha dele na primeira vez que viu o irmão, que coisa linda! Não sei explicar o que senti, passei 9 meses esperando por esse momento e ele foi realmente mágico. Que coisa boa ver meus dois filhos ali, juntos! Só quem já passou por isso mesmo pra saber... Por volta das 17h consegui levantar e tomar banho, nada de ficar horas sem mexer a cabeça ou falar. Pelo contrário, sempre uma enfermeira me mandava caminhar um pouco pra não dar gases. Tivemos alta no domingo, dia 20, às 14h. Me emocionei saindo do hospital, não acreditava que estava finalmente levando meu segundo filho pra casa. Que sensação indescritível!

Agradeço muito a Deus e a Nossa Senhora do Bom Parto por terem estado ao meu lado e do Fabrício, por nos terem protegido e não deixado que nada de grave acontecesse.

postado por: *Leticia* 9:15 PM


O DIA MAIS IMPORTANTE E FELIZ DA MINHA VIDA!...

Quinta-feira, 28 de agosto de 2003. Quando acordei sequer imaginei o que me esperava pra esse dia... Levantei terminando a faxina que havia começado na quarta. Tomei banho e almocei correndo pra ir ao hospital às 13h, pra minha consulta de pós-data, pois estava com 40 semanas e 6/7 de gestação. Depois de 1h de espera, finalmente fui chamada e a médica fez perguntas e mais perguntas. Me mandou deitar pra fazer o exame de toque. Na segunda-feira outra médica havia aplicado uma injeção no colo do útero pra ajudar na dilatação que estava com apenas 1 dedo, e no exame de quinta já estava com cerca de 3cm. Antes dela aplicar a segunda injeção (são no máximo 2), ela olhou e disse que a bolsa logo iria estourar, mas eu não imaginei que fosse ser tão logo... Ela foi mexer e então senti aquele monte de água escorrer. "Pronto, estourou!". Depois eu soube que ela estava em dúvida sobre a cor do líquido, então estourou de propósito. Fiquei feliz e apavorada. Comecei a rir como uma doida, parecia que eu tava fazendo xixi e não conseguia parar, lavei o consultório!!! A enfermeira me deu um modess gigante e lá fui eu pro pronto-socorro. Claro, saímos ligando pra todo mundo!! No PA, quando tirei o modess, achei que ele tinha uma cor esquisita, parecia cocô e era mesmo. Sorte que a médica rompeu a bolsa! Eram umas 16h quando entrei no pré-parto, era o médico que fez meu pré-natal, Dr. Wu, que estava de plantão, e fiquei lá com soro. Lá pelas 18h fui começar a sentir umas dores. Veio uma enfermeira e aumentou a dose. Qause morri, aquela dor vinha e, apesar de não ser tão horrorosa, não passava. Pedi pro Ne chamar alguém então ela diminuiu. Enfim, fiquei lá com soro e monitorada. Minhas contrações começaram a evoluir sem dor (às vezes vinham e eu só sabia porque alguém falava), mas todos que me examinavam tinham a mesma resposta sobre a dilatação: 3cm. Lá pelas 22h, depois que já haviam trocado o plantão, vieram o Dr. Gino, a Dra. Sandra e um aluno, todos uns amores, me darem a notícia. Vou narrar:
DR. GINO: -Olha, a gente tá induzindo suas contrações e elas estão evoluindo, mas a dilatação não evoluiu. Pode ser que daqui umas 5 ou 6 horas já esteja com dilatação suficiente...
EU: -Ah, não!... (Eu estava com dores, ia morrer se tivesse que ficar mais 6 horas)
DR. GINO: -Então, a gente até poderia esperar mais, mas como o neném já fez um pouco de cocô, ele poderia sofrer muito se a gente esperasse, então a gente acha melhor interromper agora.
EU: - Ah, nããããããão!!!!
Então eles saíram da sala e eu comecei a chorar como uma doida, o Ne não sabia o que fazer, coitado... Sabem, a gente sabe que pode ter que fazer cesárea, mas quando quer parto normal nem pensa nessa possibilidade. Eles me viram chorando e também foram me consolar, o Dr. Gino perguntou o que era e acabou achando a palavra certa: eu estava decepcionada. Mas o importante era que meu filhote ficasse bem e eu tive que me conformar.
Já estava na maca, na porta da sala de parto, me levaram de volta porque tinha outra cesárea que acabou ficando mais urgente que a minha. Às 23h, mais calma, entrei na sala. Que medo!!! Quando a anestesista chegou quase tive um treco! Sentei lá, naquela posição pra raqui, fiquei imaginando uma agulha gigante, mas de repente ouvi: "Acabou." Bom, o soro tinha doído bem mais! Deitei e comecei a sentir minhas pernas formigando, ai, que sensação esquisita!!! A enfermeira começou a passar iodo (eu acho) na minha perna e eu falava: "Eu ainda tô sentindo!" e pensava: "ai, meu Deus, esse homem vai me cortar e eu vou sentir tudo!". Só vi quando o médico entrou e a enfermeira gritava lá fora: "O marido da Fernanda! O marido da Fernanda!" E eu pensava: "será que ela tá chamando o Ne??? Ai, vão mandar o marido errado!!!", até que alguém falou: "Não é Fernanda, é Letícia!". Ufa! E meu amor entrou. Sentou do meu lado e eu senti me sacudirem. Perguntei se já estavam me cortando, ele disse que sim, mas olhou com uma cara como quem dizia: "Não fica apavorada", mas eu queria mesmo é ver!!! Enfim, só senti me sacudirem um pouco e ouvi: "Nasceu!". Eram 23:31h. Eu chorava muito e nada do Thierry chorar!!! Só foi chorar quando a pediatra enfiou aquele monte de coisa nele! Foi o momento mais emocionante da minha vida, sem dúvida! Eu só chorava e não conseguia enxergar nada, só vi que ele era bem branquelo e tinha um olhão arregalado! Depois de tudo pronto me trouxeram ele, mas eu nem pude pegar, pois estava com as mãos amarradas, só dei um beijinho e pude ver que ele é a coisa mais linda do mundo! Não pude amamentar por causa da hepatite e isso é uma das coisas que eu mais sinto, mas infelizmente não dava. Ele nasceu com 3,315kg, 46 cm e teve Apgar 7-9-9 (tirou 0 na cor do primeiro minuto, coitado, tava muito frio e ele estava roxinho...).
Antes de ir pro quarto me deixaram um pouco no corredor ao lado da menina da cesárea anterior, a coitada ainda tava lá num frio desgraçado que fazia aquela noite. E trouxeram meu gatinho um pouco do meu lado, mas logo ele foi pro berçário. Minha cunhada estava lá fora com o Ne, que subiu pro quarto comigo. Ficamos até umas 2 da manhã falando da nossa dádiva...
Acordei umas 7 e pouco (entrava enfermeira o tempo todo) e às 9h estava tomando banho. O Ne tinha vindo pra casa. A enfermeira mandou eu andar um pouco porque ao meio-dia iria pro berçário. Quando chegou a comida, comi feito uma louca, queria ver meu pequenino. Era a primeira vez que o viria direitinho. Ao chegar lá ainda não haviam dado imunoglobulina pra ele e ainda não pude amamentar, que raiva, o médico disse que com certeza tinha no hospital, mas tiveram que buscar no HC. Ai, que dó! Como esse menino gritou!!! E então ele mamou no meu peito pela primeira vez, foi uma emoção indescritível!!! Às 15h ele subiu pro quarto e desde então não desgrudei dele. Se eu tivesse braço de ferro e ele não fosse ficar mal-acostumado acho que ficaria com ele 24 horas no colo...
Depois, no resumo da alta, li que meu parto foi "cesárea por bradicardia fetal e distócia funcional", e descobri que bradicardia significa diminuição dos batimentos cardíacos e distocia significa parto difícil, de onde se conclui que a equipe médica foi muito competente ao fazer a cesariana (pudiam ter esperado ainda mais), ao contrário do que dizem dos hospitais públicos. Além disso, durante as mais de 60 horas de internação, sempre fui muito bem atendida pelas equipes médicas e as de enfermagem. Também não tenho mais do que reclamar em relação a ter sido cesárea, minha recuperação está sendo ótima, quase sem dor, talvez meu próximo filho eu também queira cesárea.
Thierry saiu do hospital no domingo, 31, às 14h, pesando 3,150kg (disseram ser normal perder peso) e com 51cm ( o que me leva a crer que a primeira medida estava errada). Na última segunda, dia 08/09 já estava com 3,450kg, sem coto umbilical e com os dedinhos já gordinhos. Estamos nos dando bem, apesar da minha depressão pós parto dos primeiros dias, que me fez esgotar meu estoque de lágrimas e brigar com mãe, sogra e marido (o único que me entendeu e não me deixou entrar numa depressão mais profunda. Graças a ele minha DPP não durou nem 1 semana). Meu filhote cresce lindo, saudável e está ficando cada vez mais espertinho. Só tenho que agradecer a Deus por essa benção, esse bebezinho perfeito e bonzinho. Agora tenho certeza que escolhi o nome certo pra ele: THIERRY = DÁDIVA DE DEUS!

postado por: *Leticia* 6:57 PM





arquivo