História do meu parto
Sábado, Setembro 13, 2003
VOU CONTAR AQUI A HISTÓRIA DO DIA MAIS IMPORTANTE E FELIZ DA MINHA VIDA!...
Quinta-feira, 28 de agosto de 2003. Quando acordei sequer imaginei o que me esperava pra esse dia... Levantei terminando a faxina que havia começado na quarta. Tomei banho e almocei correndo pra ir ao hospital às 13h, pra minha consulta de pós-data, pois estava com 40 semanas e 6/7 de gestação. Depois de 1h de espera, finalmente fui chamada e a médica fez perguntas e mais perguntas. Me mandou deitar pra fazer o exame de toque. Na segunda-feira outra médica havia aplicado uma injeção no colo do útero pra ajudar na dilatação que estava com apenas 1 dedo, e no exame de quinta já estava com cerca de 3cm. Antes dela aplicar a segunda injeção (são no máximo 2), ela olhou e disse que a bolsa logo iria estourar, mas eu não imaginei que fosse ser tão logo... Ela foi mexer e então senti aquele monte de água escorrer. "Pronto, estourou!". Depois eu soube que ela estava em dúvida sobre a cor do líquido, então estourou de propósito. Fiquei feliz e apavorada. Comecei a rir como uma doida, parecia que eu tava fazendo xixi e não conseguia parar, lavei o consultório!!! A enfermeira me deu um modess gigante e lá fui eu pro pronto-socorro. Claro, saímos ligando pra todo mundo!! No PA, quando tirei o modess, achei que ele tinha uma cor esquisita, parecia cocô e era mesmo. Sorte que a médica rompeu a bolsa! Eram umas 16h quando entrei no pré-parto, era o médico que fez meu pré-natal, Dr. Wu, que estava de plantão, e fiquei lá com soro. Lá pelas 18h fui começar a sentir umas dores. Veio uma enfermeira e aumentou a dose. Qause morri, aquela dor vinha e, apesar de não ser tão horrorosa, não passava. Pedi pro Ne chamar alguém então ela diminuiu. Enfim, fiquei lá com soro e monitorada. Minhas contrações começaram a evoluir sem dor (às vezes vinham e eu só sabia porque alguém falava), mas todos que me examinavam tinham a mesma resposta sobre a dilatação: 3cm. Lá pelas 22h, depois que já haviam trocado o plantão, vieram o Dr. Gino, a Dra. Sandra e um aluno, todos uns amores, me darem a notícia. Vou narrar:
DR. GINO: -Olha, a gente tá induzindo suas contrações e elas estão evoluindo, mas a dilatação não evoluiu. Pode ser que daqui umas 5 ou 6 horas já esteja com dilatação suficiente...
EU: -Ah, não!... (Eu estava com dores, ia morrer se tivesse que ficar mais 6 horas)
DR. GINO: -Então, a gente até poderia esperar mais, mas como o neném já fez um pouco de cocô, ele poderia sofrer muito se a gente esperasse, então a gente acha melhor interromper agora.
EU: - Ah, nããããããão!!!!
Então eles saíram da sala e eu comecei a chorar como uma doida, o Ne não sabia o que fazer, coitado... Sabem, a gente sabe que pode ter que fazer cesárea, mas quando quer parto normal nem pensa nessa possibilidade. Eles me viram chorando e também foram me consolar, o Dr. Gino perguntou o que era e acabou achando a palavra certa: eu estava decepcionada. Mas o importante era que meu filhote ficasse bem e eu tive que me conformar.
Já estava na maca, na porta da sala de parto, me levaram de volta porque tinha outra cesárea que acabou ficando mais urgente que a minha. Às 23h, mais calma, entrei na sala. Que medo!!! Quando a anestesista chegou quase tive um treco! Sentei lá, naquela posição pra raqui, fiquei imaginando uma agulha gigante, mas de repente ouvi: "Acabou." Bom, o soro tinha doído bem mais! Deitei e comecei a sentir minhas pernas formigando, ai, que sensação esquisita!!! A enfermeira começou a passar iodo (eu acho) na minha perna e eu falava: "Eu ainda tô sentindo!" e pensava: "ai, meu Deus, esse homem vai me cortar e eu vou sentir tudo!". Só vi quando o médico entrou e a enfermeira gritava lá fora: "O marido da Fernanda! O marido da Fernanda!" E eu pensava: "será que ela tá chamando o Ne??? Ai, vão mandar o marido errado!!!", até que alguém falou: "Não é Fernanda, é Letícia!". Ufa! E meu amor entrou. Sentou do meu lado e eu senti me sacudirem. Perguntei se já estavam me cortando, ele disse que sim, mas olhou com uma cara como quem dizia: "Não fica apavorada", mas eu queria mesmo é ver!!! Enfim, só senti me sacudirem um pouco e ouvi: "Nasceu!". Eram 23:31h. Eu chorava muito e nada do Thierry chorar!!! Só foi chorar quando a pediatra enfiou aquele monte de coisa nele! Foi o momento mais emocionante da minha vida, sem dúvida! Eu só chorava e não conseguia enxergar nada, só vi que ele era bem branquelo e tinha um olhão arregalado! Depois de tudo pronto me trouxeram ele, mas eu nem pude pegar, pois estava com as mãos amarradas, só dei um beijinho e pude ver que ele é a coisa mais linda do mundo! Não pude amamentar por causa da hepatite e isso é uma das coisas que eu mais sinto, mas infelizmente não dava. Ele nasceu com 3,315kg, 46 cm e teve Apgar 7-9-9 (tirou 0 na cor do primeiro minuto, coitado, tava muito frio e ele estava roxinho...).
Antes de ir pro quarto me deixaram um pouco no corredor ao lado da menina da cesárea anterior, a coitada ainda tava lá num frio desgraçado que fazia aquela noite. E trouxeram meu gatinho um pouco do meu lado, mas logo ele foi pro berçário. Minha cunhada estava lá fora com o Ne, que subiu pro quarto comigo. Ficamos até umas 2 da manhã falando da nossa dádiva...
Acordei umas 7 e pouco (entrava enfermeira o tempo todo) e às 9h estava tomando banho. O Ne tinha vindo pra casa. A enfermeira mandou eu andar um pouco porque ao meio-dia iria pro berçário. Quando chegou a comida, comi feito uma louca, queria ver meu pequenino. Era a primeira vez que o viria direitinho. Ao chegar lá ainda não haviam dado imunoglobulina pra ele e ainda não pude amamentar, que raiva, o médico disse que com certeza tinha no hospital, mas tiveram que buscar no HC. Ai, que dó! Como esse menino gritou!!! E então ele mamou no meu peito pela primeira vez, foi uma emoção indescritível!!! Às 15h ele subiu pro quarto e desde então não desgrudei dele. Se eu tivesse braço de ferro e ele não fosse ficar mal-acostumado acho que ficaria com ele 24 horas no colo...
Depois, no resumo da alta, li que meu parto foi "cesárea por bradicardia fetal e distócia funcional", e descobri que bradicardia significa diminuição dos batimentos cardíacos e distocia significa parto difícil, de onde se conclui que a equipe médica foi muito competente ao fazer a cesariana (pudiam ter esperado ainda mais), ao contrário do que dizem dos hospitais públicos. Além disso, durante as mais de 60 horas de internação, sempre fui muito bem atendida pelas equipes médicas e as de enfermagem. Também não tenho mais do que reclamar em relação a ter sido cesárea, minha recuperação está sendo ótima, quase sem dor, talvez meu próximo filho eu também queira cesárea.
Thierry saiu do hospital no domingo, 31, às 14h, pesando 3,150kg (disseram ser normal perder peso) e com 51cm ( o que me leva a crer que a primeira medida estava errada). Na última segunda, dia 08/09 já estava com 3,450kg, sem coto umbilical e com os dedinhos já gordinhos. Estamos nos dando bem, apesar da minha depressão pós parto dos primeiros dias, que me fez esgotar meu estoque de lágrimas e brigar com mãe, sogra e marido (o único que me entendeu e não me deixou entrar numa depressão mais profunda. Graças a ele minha DPP não durou nem 1 semana). Meu filhote cresce lindo, saudável e está ficando cada vez mais espertinho. Só tenho que agradecer a Deus por essa benção, esse bebezinho perfeito e bonzinho. Agora tenho certeza que escolhi o nome certo pra ele: THIERRY = DÁDIVA DE DEUS!
postado por: NENE CHIACHIRINI 6:57 PM