*Partos da mamãe Letícia*

Relatos dos meus partos, os dias mais felizes da minha vida... Thierry e Fabrício, minha vida!!!





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Junho 10, 2007

 
O DIA MAIS IMPORTANTE E FELIZ DA MINHA VIDA!... - SEGUNDA ETAPA

Sexta-feira, 18 de maio de 2007. Parecia que aquela sexta-feira em que eu completava 40 semanas de gestação e era a data prevista para o meu parto seria só mais um dia como foram todos os outros daquela semana. Mas não foi. Na segunda-feira estava com o colo médio e quase 2 dedos de dilatação, tinha sentido cólicas leves durante toda a semana, percebia que saía um pouco do tampão a cada ida ao banheiro, todo dia pensava "é hoje!", mas o Fabrício não estava de acordo. A médica já tinha me avisado que se nada acontecesse durante a semana, marcaria a cesárea pra outra terça, com 40 semanas e meia, o que me deixou chateada com a possibilidade do parto que eu não queria. Na quarta-feira entrei em greve e aproveitei pra arrumar a casa, na quinta tive cardiotoco que fazia toda semana. Saí do hospital chorando quando a médica mediu o líquido e mais uma vez disse "tá ótimo, volta na segunda". Nessa hora desisti de vez do parto normal, já achava que tudo caminhava pra aquela cesárea eletiva, apesar dos motivos. Na noite de quinta me preparei pra ficar sozinha em casa (por sorte, Thierry estava dormindo na casa da vovó), fazer as unhas, terminar de arrumar a casa. Mas parece que mais uma vez o Fabrício não concordava comigo.

Como rotina de grávida, acordei pra fazer xixi às 3:50h. Quando deitei, senti uma contração dolorida, mas fraca e, sem a mínima experiência em trabalho de parto, pensei: "ih, acho que é isso!". 5 minutos depois senti outra, e mais 5 minutos, outra. Fiquei tão excitada que perdi o sono. 40 minutos depois, com essas contrações fracas mas regulares, decidi não ficar em casa sozinha, pois moro muito longe do hospital e o marido demoraria no mínimo 1 hora só pra chegar em casa. Como ele trabalha ao lado do hospital, decidi ir com ele mesmo que aquilo não fosse o início de um trabalho de parto e eu perdesse a viagem. Melhor previnir que remediar. Levantei e fui tomar um banho, lavar o cabelo. Quando terminei, senti uma coisa pingar e achei que estava com uma rotura alta de bolsa. Chamei o marido e disse: "acho que você vai ser papai hoje!". Ele me olhou com cara de bobo e pulou da cama. A essa altura eu já tinha certeza da rotura da bolsa e até achava que o líquido estava estranho, resolvi me apressar. Antes de sair ligamos pras nossas mães, molhei minhas plantinhas e fui guardar a comida que estava descongelando pro almoço. Foi minha sorte! Ao pegar o pote, uma forma escorregou da geladeira. Quando me abaixei para pegar, minha bolsa rompeu de uma vez. Quando tirei a calça para trocar, fiquei apavorada, estava cheio de mecônio! Comecei a chorar, me perguntando por que aquilo estava acontecendo comigo novamente (quem não conhece a história anterior, leia o relato do meu parto abaixo). Era cedo, marginal tranqüila, chegamos ao hospital em 20 minutos. Fui admitida no PS às 5:50h, ainda com bastante líquido. Às 6:30h comecei a ser monitorada. As contrações ficavam mais doloridas aos poucos, mas no mesmo ritmo. Às 7:00h, na troca do plantão, um médico muito gente boa me examinou, eu estava com 3 dedos. Traumatizada com meu parto anterior, uma situação quase idêntica, perguntei se ele achava que o trabalho de parto ia evoluir, pois eu não podia ser induzida por ter uma cesárea anterior. Ele disse que só poderia me responder dali a 1h e meia, que dependia da minha natureza e ainda brincou, dizendo: "olha o seu tamanho, olha o tamanho dessa bacia! Isso aqui ganha nenê fácil!". Perguntou até quando eu tinha trabalhado, eu respondi que até terça e depois entrei em greve. Ele disse que é isso que dá mecônio, que os outros médicos riem quando ele diz isso, mas que ele não tem casos de mecônio no consultório dele há 20 anos, pois faz as mulheres sairem de licença com 36 semanas. Conversou comigo um pouco e foi olhar as outras pacientes. Fiquei olhando o aparelho de cardiotoco, pois estava com mau-contato no ultrassom. Me mexi, ele perdeu o foco. Quando voltou, a freqüência cardíaca fetal oscilava entre 70 e pouco e 90 e pouco. Esperei o médico passar e perguntei porque estava tão baixa. Ele disse que era porque eu estava de barriga pra cima, ficava em cima da veia cava e tal. Tentei virar de lado, a freqüência aumentou, mas logo caiu de novo. Mesmo não querendo me assustar, percebi que ele ficou um pouco preocupado, fez novo exame de toque e, passada 1 hora, eu continuava com os mesmo 3 dedos. Ele disse: "você não vai agüentar, vamos pra cesárea.", e saiu depressa. Enquanto esperava as enfermeiras chorei, eu não tinha conseguido de novo. Mas eu tentava me controlar, aquilo era a última coisa em que eu queria pensar, sabia que meu bebê não estava bem e era a cesárea que salvaria sua vida. Todo o procedimento foi feito muito rapidamente, soro, sonda, anestesia... Quando o Ne entrou no centro cirúrgico, eu já estava sendo cortada. Estávamos tranqüilos, conversamos e brincamos bastante com os médicos (pegamos uma equipe maravilhosa!), o anestesista tirava fotos por cima de mim e me mostrava. Chorei de emoção quando percebi que ele tinha nascido, porque os médicos não tinham falado nada. Vi que os pediatras se movimentavam bastante no bercinho aquecido, mas o bebê não chorava. Comecei a ficar desesperada e perguntava a todos porque ele não estava chorando. Só me diziam "calma", até que aquele mesmo obstetra veio me dizer que estava tudo bem, eram os pediatras que não estavam deixando ele chorar (pra fazer a aspiração - não sei se foi uma desculpa, mas depois outro pediatra me disse que foi bom ele não ter chorado pra fazer a aspiração). De repente veio aquele chorinho, a princípio meio engasgado, depois forte, nunca agradeci tanto a Deus. Essa agonia durou cerca de 3 minutos, pois não marcaram a hora que ele nasceu, só diziam "faz uns 3 minutos, né?". Eram 8:51h, ou seja, ele nasceu às 8:48h, com 48 cm e 3,055kg. Então, mais feliz, eu ria, olhava pro marido e comentava sobre a quantidade e a cor daquele cabelinho, a única coisa que eu conseguia enxergar com meus 4 graus de miopia. Alguns minutos depois o pediatra me trouxe aquela coisinha tão fofa e, ao bater os olhos nele, eu disse: "amor, é a cara do Thi!". Eu tentava fazer um carinho e beijá-lo, só me lembrei de perguntar quanto tinha sido o Apgar. Quando o pediatra respondeu "1-8-10" eu achei que não tinha entendido direito e perguntei "Um???". Ele percebeu minha cara de espanto e disse que sim, mas estava tudo bem, que o de quinto e décimo minutos tinham sido ótimos, significava que ele recuperou rápido. Fiquei mais tranqüila, mas depois perguntava pra todo pediatra, que respondia a mesma coisa. Ainda na sala, o efeito da anestesia começou a passar, então já nos levaram pro quarto, ele na mesma maca que eu, que o segurava desajeitadamente, porque não conseguia me mexer direito e já estava sentindo dor. Tive que esperar bastante pra amamentar, pois ele precisava tomar uma vacina (Imunoglobulina) que praticamente elimina a chance dele contrair a minha hepatite. Às 14h, nossa visita tão esperada chegou: o Thierry. Nunca vou esquecer a carinha dele na primeira vez que viu o irmão, que coisa linda! Não sei explicar o que senti, passei 9 meses esperando por esse momento e ele foi realmente mágico. Que coisa boa ver meus dois filhos ali, juntos! Só quem já passou por isso mesmo pra saber... Por volta das 17h consegui levantar e tomar banho, nada de ficar horas sem mexer a cabeça ou falar. Pelo contrário, sempre uma enfermeira me mandava caminhar um pouco pra não dar gases. Tivemos alta no domingo, dia 20, às 14h. Me emocionei saindo do hospital, não acreditava que estava finalmente levando meu segundo filho pra casa. Que sensação indescritível!

Agradeço muito a Deus e a Nossa Senhora do Bom Parto por terem estado ao meu lado e do Fabrício, por nos terem protegido e não deixado que nada de grave acontecesse.


posted by NENE CHIACHIRINI at 9:15 PM Comments:

 

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